segunda-feira, 29 de julho de 2013

Agradecimento fraldístico

Essa semana, compramos o primeiro pacote de fraldas do neném. Foram 11-quase-12 meses de regalias e conforto fraldístico, que nós sinceramente queríamos que nunca acabasse. Afinal chegou o dia. Queremos agradecer a todos que nos ajudaram nessa jornada de xixi/cocô e fizeram esse último ano extremamente confortável para nós e para o bumbum de Lia.

Att,

Giba, Ju e Lia

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Amor exagerado

Sabe neném, você tá mais apegada a mim que nunca. Salvo raras noites em que você aceita ser ninada pelo papai, agora você só adormece se for nos meus braços, acorda no meio da noite pra ficar perto de mim, chora quando não sou eu que tiro você do bercinho após um cochilo. Essas são só algumas coisas que venho notando. Muitas pessoas já haviam me dito que você passaria por picos de crescimento e crises emocionais, e eu me pegava pensando "Ai meu deus, como eu vou sobreviver?". Achava que era impossível aguentar mais cansaço do que o que já vinha sentindo. Achava que era aí que eu ia enlouquecer de vez.

Isso é no "antes". Quando me vejo em pleno pico de crescimento e paro pra pensar no que está acontecendo, não tenho muito do que reclamar. Sim, dormir seria fantástico. E poder dividir algumas obrigações com outras pessoas também. Mas não, nada disso me mata. Na verdade, agora, o que me faz pensar "Ai meu deus, como eu sobreviveria" é imaginar você querendo outra pessoa com a intensidade que você me busca. Essa sua mãe masoquista reclama que não dorme, que não tem tempo pra comer, que só vive com uma criança pendurada no peito mas, secretamente, adora esse seu amor exagerado. Não trocaria por nada, absolutamente nada. Meu amor também é exagerado.




domingo, 19 de maio de 2013

Passeios de Domingo

Hoje é domingo, pede cachimbo.

Passear com neném: o melhor programa do fim de semana! É uma pessoinha tão pequenininha que você acha que não vai nem saber que está passeando. Mas que nada! Lia adora passear. Ela nota que está vestidinha pra sair, nota que você também está arrumadinho, e dana a risada. É tanta euforia que é preciso segurar ela com mais força, pra não cair dos braços.

Hoje fomos pro Recife Antigo almoçar. De todos os shoppings da cidade, o Paço é meu preferido. Não tem muita gente e não é barulhento. E, aos domingos, é um ponto de encontro de papais com seus filhotes. Uma delícia! Saímos de casa, eu, Lia e vovó Ana (papai está viajando), prontas pra passar uma horinha e voltar pra casa. Acabamos ficando até as 18h, e o neném aproveitando cada minuto. Primeiro brincou em seu carrinho, enquanto a gente almoçava. Conversou com os brinquedos, jogou celulares no chão, fez uma algazarra.

Depois descemos para tomar um cafézinho na São Brás, onde ela meteu na cabeça que queria ir pro chão. Portanto pro chão ela foi! Ficou engatinhando pra um lado e pro outro no meio do Paço. Demandou remover os sapatinhos (primeira vez na vida que ela usa sapato pra algum canto) pra conseguir engatinhar melhor e saiu passeando "sozinha", conversando com todos os estranhos. Recebeu beijinhos de algumas criancinhas curiosas, desamarrou os sapatos de um adolescente simpático e se deitou e rolou pra todo lado. Saiu do chão PODRE de suja, o pé tão preto que parecia que tava pintado de carvão, e só aceitou sair porque a fome já não dava mais pra aguentar.

Fomos pra mesinha onde vovó Ana tomava seu capuccino - revoltada porque deixei a criança rastejar naquele chão imundo - pra tomar nossa sopinha. Muita sopa depois, estava saciada e pronta pra mais uma aventura. Fomos até a sessão infantil da Livraria Cultura, onde há um tapete, um dragão de madeira, almofadas, livrinhos e, claro, crianças! De cara, conhecemos um bebê de 10 meses chamado Miguel. Miguel não gostou muito de Lia, mas Lia adorou Miguel! Engatinhou-correndo até esse bebê-novidade e tentou pegar na cabeça dele. Errou e acertou o olhinho. Pobre Miguel!

Lia engatinhou, engatinhou e engatinhou. Se apoiou no dragão pra se levantar, passou pelos buracos da estrutura, puxou livro de todas as estantes, sorriu, gargalhou, fez amizade com criancinhas de todas as idades e finalmente cansou e capotou de barriga pra baixo no tapete. Foi nossa deixa pra colocar a neném no carrinho e sair pra visitar a feirinha, o marco zero, ouvir maracatu e tentar colocá-la pra tirar uma soneca na turbulência das ruas de paralelepipedo.

Era tanta coisa acontecendo que a coitada da Lia não conseguiu dormir e, prevendo que em breve teríamos um bebê mal-humorado conosco, resolvemos voltar pra casa de vovó Ana. Aqui, Lia tomou um banho morninho e foi direto pro peito, onde ela passou três minutos e caiu num sono pesado.

Quem disse que bebê não curte um passeio? :)


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Date night!

Encontrar tempo pra curtir uma saidinha romântica é bem mais difícil quando se tem um neném. A minha pimenta, por exemplo, ainda não dorme a noite inteira. E, apesar de já comer sopinhas e frutinhas durante o dia, à noite é peito e pronto. Ou seja, tenho que estar aqui quando ela acorda com fome. O problema é que esse horário nem sempre é previsível. Eu tenho uma ideia geral de quantas horas ela dorme após ninada, mas isso pode sempre mudar.

Exemplo: alguns meses atrás, fomos a uma palestra de Slavoj Zizek. Me programei para colocar Lia para dormir às 19h, deixá-la sob os cuidados da minha mãe, e sair correndo no taxi pra chegar a tempo de ver o começo da palestra. Tudo correu como planejado, até eu pegar o taxi e chegar na metade do caminho. Me liga minha mãe avisando que Lia tinha acordado. É um sensor?! Ouvido de cachorro? Nariz eficiente?! Depois de uma choradinha, ela conseguiu voltar a dormir e eu consegui assistir à palestra "tranquilamente" (com três celulares na mão, em caso de emergência).

Voltando ao assunto, nossas saídas como casal são raras. Se não pela mão-de-obra que é deixar o neném sob os cuidados de alguém em casa, pela nossa (minha) falta de energia depois de um dia inteiro de trabalho, criança, trabalho, criança, banco, TCC, criança... Nossa vida é ocupada. E aquela boa vontade de se arrumar pra sair depois de um dia desgastante nem sempre existe, apesar da vontade de passear estar sempre em alta.

Nossas saídas são sempre tão boas! Eu sinto saudade de passar tempo sozinha com Giba. Quando notamos que essa fase caseira ia durar, nos voltamos para os filminhos à noite, abraçadinhos no aconchego da nossa cama. É uma delícia...durante o tempo que conseguimos ficar acordados. Passar quality time juntos é sempre bom, independente do lugar, mas vamos tentar uma nova tradição de sair juntos pelo menos uma vez por semana. Contato com o mundo externo, pra lembrar que nós temos outras facetas além de mamãe e papai. <3


terça-feira, 30 de abril de 2013

Que coisa!

Por que criança tem que ter tanta creca?! Acaba uma dor de cabeça, já começa outra. Primeiro tivemos uma gripe cheia de catarro e tosse. Melhoramos da gripe e fomos tomar vacina, o que deixou neném completamente derrubada. No mesmo dia que tomamos vacina, tivemos uma pequena reação alérgica e ficamos com o corpo cheio de manchinhas vermelhas. A alergia melhorou dentro de uma hora e não foi preciso tomar remedinho, mas as dores no corpo, a febre e a moleza causadas pela vacina duraram dois dias. Claro que não dormimos. Passamos o fim de semana bem e, chega segunda feira, Lia me aparece com um calombo molinho na cabeça. Ela não caiu, então de pancada não era! Apertamos, esfregamos, amassamos, e não tivemos nenhuma reação de dor. Hoje, terça feira, o calombo diminuiu - deve ter sido alguma picadinha de mosquito ou uma íngua. Ótimo! Mas eis que meu neném acordou com o nariz escorrendo e espirrando: rinite (o nariz ela puxa do pai).

E a isso tudo somamos a agonia com os dentinhos, que ainda não romperam a gengiva mas estão deixando tudo inchado e dolorido.

Deus me livre, imagina quando essa criança estiver andando!




terça-feira, 16 de abril de 2013

Aia

16 de abril, a primeira palavrinha pronunciada, com muita convicção.

Mamãe estava bebendo água e, como sempre, intercalando goles com a palavra "água", pra você aprender. Você me olhava e sorria, abrindo a boca para tentar formar o som da letra "a". Hoje, pela primeira vez, saiu um som. Mas não saiu só o "a" que eu esperava. Saiu uma palavra inteira, falada da maneira mais linda que um bebê poderia conseguir. Aia.

Ofereci o copo a você, que estava com sede, e prontamente deu um gole generoso. Depois tirou a boquinha da borda, sorriu pra mim e falou, em alto e bom tom: AIA! Eu olhei pra você e soltei um gritinho de felicidade, enchendo suas bochechinhas gordas de beijos. Você me empurrou: queria mais água! Ofereci mais um gole, que você aceitou. Quando acabou, eu mesma falei: "água!". E você riu e respondeu "aia!".

Quando acabou a água, corremos pra ligar pra papai pra contar a novidade, mas você não queria mais falar. Estava ocupada mordendo o fio do telefone. Só voltou a falar 'aia' mais tarde, quando viu sua avó com um copo na mão. Olhou pra mim, e, desta vez mais suavemente, falou novamente sua primeira palavrinha.

Mais tarde, ao descer com Vovó Lininha pra passear, resolveu soltar a língua mais algumas vezes, provando para quem estivesse por perto que agora você é uma menina eloquente.

(Mas não pense que paramos de esperar pelo 'papai' e 'mamãe', viu?)






terça-feira, 2 de abril de 2013

Desilusão

Tanta coisa pra escrever e tão pouco tempo. As atualizações sobre nosso feijãozinho estão atrasadas, tantas novidades lindas, tantas histórias fofas. É realmente algo inexplicável acompanhar o desenvolvimento de uma criança. Eu achava que, por vê-la todos os dias, não notaria pequenos avanços nesse desenrolar de uma vidinha tão recente. Mas claro que eu noto. Até a mudança nos gritinhos, as novas caretas, a nova maneira de tomar banho, nada passa despercebido. Lia crescendo é uma coisa linda de se ver.

O que me leva a uma reflexão deprimente: a cada dia, eu sinto mais que Recife não é o lugar para ela crescer. Sim, aqui vivem nossas famílias e nossos amigos queridos. Aqui está nossa história, nossa vida inteira e nosso conforto. Mas as situações que eu presencio no dia-a-dia - que antes eu ignorava na maioria das vezes - agora ficam na minha cabeça, cantando pra mim: "é assim que sua filha vai viver?". Eu sempre fui defensora de Recife. Eu amo esse lugar, eu sempre quis voltar a morar aqui e eu nunca me arrependi. Mas desde que o bebê nasceu, isso se tornou algo que vive na minha cabeça, uma preocupação constante.

Generalizando meus desgostos: os pequenos atos de corrupção que acontecem a cada minuto de cada dia, praticados por pessoas físicas e jurídicas. A desonestidade. A falta de educação, com as pessoas e com o ambiente. A falta de limpeza. A falta de estrutura. A falta de segurança. A falta de amparo por parte do Estado. A falta de recursos. A falta, a falta, a falta!

O nível de aceitação com atitudes machistas me assusta. É como se fosse uma coisa normal: passou por um grupo de homens, recebeu assobios e comentários. Eu foi agraciada com "elogios" enquanto estava indo pra padaria, segurando Lia no colo, vestida com uma calça velha, folgada e manchada de água sanitária. Grávida, no metrô de São Paulo, uma aberração da humanidade cochichou nojentamente ao meu lado: "aaah se essa barriga fosse minha...". Andando de braços dados com meu avô, andando sozinha, andando bonita, andando feia, voltando da faculdade descabelada... não há limites! E não existe a opção de reclamar. O medo de retribuição violenta é muito grande (e válido). A depreciação não precisa ser tão óbvia assim: quantas pessoas - homens e mulheres - você conhece que valorizam mais a opinião, a voz, de um homem do que a de uma mulher? É mais que comum pedir pro irmão, pai, namorado, tio, amigo, resolver um problema imbecíl porque o negociante acha que pode enrolar a mulherzinha boba. E o deboche com meninas é tão aceito que já virou lugar comum. E claro que liberdade sexual é uma ilusão. Pensando bem, a dificuldade em respeitar a sexualidade alheia é algo que me incomoda bastante. E isso vale pra todos os gêneros e orientações.

Dificuldade de respeitar, portanto, é meu maior problema com Recife. Dificuldade de respeitar sexualidade, raça, classe social, nível de educação, nível de cultura, religião... NADA me faz acreditar que os direitos humanos da minha filha vão ser respeitados.

A violência também me assusta, cada dia mais. Mentira, me assustava antes. Agora me apavora. Me apavora o fato de estar a mercê da sorte. De não cruzar um caminho errado, de ficar dependendo de um sistema falho, que não pode proteger minha família. A escolha é entre viver nessa preocupação eterna e, para não tolher uma vida, colocar seus amados nas mãos de deus ou enclausurar uma infância, uma adolescência, sempre regando o medo de que algo possa acontecer.

Agora para uma preocupação mais leve: vizinhos inconvenientes! Antes era até engraçado. Era chato...mas era engraçado. Agora não há mais humor, é só uma dor de cabeça sem fim. Não é culpa deles, coitados. As pessoas vivem tão perto que respeitar o espaço *sonoro* de cada um é uma missão. Eu não quero ficar ouvindo brigas alheias, palavrões, gritos de torcedor bebado, música ruim, batida de martelo, construção, carro barulhento todo santo dia. Eu juro que um dia vou jogar um ovo no próximo que acordar meu bebê do cochilinho dela.

Eu acredito que é preciso lutar para mudar as coisas. Que não devemos fugir para o conforto e deixar as mudanças a carga do outro. De outro em outro, nada muda. Meu dilema é que essa ideologia bate de frente com o bem estar que eu quero para minha filha, e que eu quero pra já! No fim das contas, Lia vem primeiro. E minha cidade amada acaba não sendo mais tão amada assim.